sexta-feira, janeiro 27, 2006


Olhares perdidos
Olhares perdidos
Lembram com saudade
Os momentos sentidos
De amor e felicidade
Fazem marcas no rosto
Na alma e no coração
Deixam sorrisos soltos
Sem aparente razão
Lembram horas e minutos
Esperando amanhecer
A melancolia esquecida
De novo dia a nascer
Sonham por novos triunfos
E conquistas de emoção
Procuram para sua vida
Descobrir uma razão!

Mau tempo e de tempestade
Mau tempo e de tempestade
Nuvens negras e pesadas
Sons de revolta e de saudade...

Mau tempo e grande ventania
Capaz de soprar para longe
Lembranças de muita alegria...

Mau tempo e chuva forte
Que nos limpa recordações
Ignorando a boa sorte!

Construímos uma muralha
Forte, dura e resistente
Numa crise num problema
Que nos surge pela frente
Esse tempo de intempérie
Que consome e nos corrói
Fazem dos momentos felizes
Razão porque tanto dói

Não ouvimos nem escutamos
Não vemos o que está lá
Nem tão pouco aceitamos
Quem tão perto de nós está

Gritamos e esperneamos
Somos senhores da razão
Sinal que estamos feridos
Sangrando do coração

Somos maus e tão crúeis
Que pensamos em vingança
Amaldiçoamos o dia
Em que perdemos a esperança

Mas no meio da tempestade
Que parecia não acabar
Chega por fim a bonança
E o sol volta a brilhar!

Ó mar salgado, tão doce e amargo

Ó mar salgado, tão doce e amargo
Abarga-me as lágrimas
Que tenho chorado
Chorado por ti e por quem não me ama
Chorado por ti, deitada na cama
Sonhei um futuro
E vi qual o mal
De tanta tristeza
Num mar de cristal
Brilhei por um homem
Que tinha em pedestal
Mas é homem não Deus
Não perfeito, mas normal
Ó mar salgado, tão doce e amargo
Abarga-me agora
Com meu mal sarado
Chorar, já não choro
Nem quero mais chorar
Amar já não amo
Já nem mais quero amar
Se o amar é sofrer
Já não quero mais
Porque os homens... ai esses
São todos iguais!

Procuro no horizonte

Procuro no horizonte algo há muito perdido
Um futuro mais sereno, destino mais definido
Procuro uma razão, um porquê ou fundamento
Não encontro, desespero e continua o tormento...
Procuro a direcção certa, um rumo com mais sentido
Um objectivo concreto, um esforço reconhecido
Será que sou eu que não vejo? Ou apenas é má sorte
Como posso eu caminhar sem estrada, caminho ou norte
Procuro no horizonte por uma visão diferente
A referência certa, um farol que me oriente
Pela mudança do vento, por nova orientação
Por nova fonte de vida, por alguma inspiração
Procuro no horizonte e continuo a procurar
À pergunta uma resposta, por alguém que a possa dar
Sinto que remo sem rumo, sem sentido e sem saber
Se algum dia, de algum modo poderei sobreviver
Sinto que lutei largos anos por algo que se esvanece
Talvez fosse uma miragem que agora desaparece
Procuro no horizonte nem que seja uma ilusão
Uma lógica, um caminho ou simples trilho no chão!

quinta-feira, janeiro 26, 2006


Ansiedade de quem espera...

Esperei dias, meses, anos
Desejei até doer
Vencida pela ansiedade
De um milagre acontecer
O medo me consumia
Pairava como nuvem negra
Que antecipa a tempestade
E esperança esvanecia
A tristeza foi vencendo
Louca obsessão persistia
Nem a força de um desejo
Gerar vida permitia!

E quando já sem forças
Me rendi mesmo sem querer
Simplesmente aconteceu
Toda a razão de viver!
Aquilo que eu tanto queria
Bem mais forte que a razão
Mais um coração batia
Uma vida em formação
Não consigo transmitir
Da felicidade a dimensão
Nem tão pouco descrever
Quão intensa a emoção
Lágrimas saltavam de alegria
Sorriso brilhante se instalou
Uma semente já crescia
O fruto de quem amou!



Nota: Dedicado à minha querida filha Beatriz, nascida a 12.08.2002, que amo mais que tudo
e é a razão pela qual acordo, respiro e vivo a cada minuto!

Mãe amiga!

Estende sua mão amiga
Bem esticada e a aguardar
Que num tropeção da vida
Esteja pronta para ajudar
Um lenço branco na outra
Sempre limpo e a esperar
Uma lágrima perdida
Que precise de aparar
Um ombro livre que fica
Em alerta para acolher
O repouso de um rosto
Em um momento qualquer
Um abraço garantido
Esperando para intervir
Para que em pedido de ajuda
O possa dar sem pedir
Um sorriso tão presente
Que consola e aquece
Um amor incomparável
Que na vida não se esquece
Sente, prevê e antecipa
E interpreta cada sinal
Mãe poderosa e linda
Uma amiga sem igual!

Nota: Dedico este poema à minha querida mãe, a melhor amiga do mundo!


As lágrimas que correm
As lágrimas que correm
Pelo teu rosto descontroladas
Fazem-me sentir inútil
Sem saber como ampará-las
O choro inconsolável
Num soluçar aflitivo
Um pedido de ajuda
Que eu, infeliz... não consigo
Que aperto e que desespero
De ser mãe e ver sofrer
No meu regaço encolhida
Minha razão de viver!
Quem me dera fosse eu
Tão aflita e tão doente
Resistia, tinha forças
Não sofria duplamente!
Ver a minha pequenina
Febril e sem reacção
Olhos tristes desamparada
E eu aqui sem solução!
Quão fraca e tola me sinto
Incapaz de socorrer
De que serve tanto amar
Sem mais nada que fazer!
Amo com todas as forças
Com carinho... mas impotente
Quem me dera, minha linda
Que não estivesses doente!
Horas se passam na noite
E eu fico sempre a ouvir
Um soluçar, uma chamada
Que me chame a intervir
Encosto-me na tua cama
Fico quieta a ouvir
Se dormes profundamente
Ou começas a tossir!
Dói tanto quando choras
Mais ainda se me chamas
Porque será que é tão longo
O tempo que não melhoras!
Durante o dia que trabalho
São longas horas a fio
A pensar como te sentes
Se estás bem ou se tens frio!
Na esperança de quem melhora
Teus olhos brilham como ouro
Tu sabes que a mãe te adora
Minha vida... meu tesouro!

quarta-feira, janeiro 25, 2006


Nem que seja só de vez em quando...

Acendi uma vela a meio da noite escura, enrolei-me num cobertor, aconcheguei-me no sofá e fiquei a ouvir a melodia inconfundível do silêncio! Que reconfortante é ficar a ouvir o som da noite, vaguear entre pensamentos e recordações, entre ideias e emoções, entre lembranças e sensações... como é bom ficar quieta a ouvir o nada!

Enquanto tudo dorme e repousa, apenas o vento sopra lá fora e as folhas das árvores vibram e cintilam ao luar... como é bom ficar num canto, de vez em quando... apenas com a nossa presença, ouvindo a paz e a tranquilidade da noite tardia!
Ouvir o próprio respirar calmo e sereno, à média luz, apreciar a dança da chama da vela que se projecta em teu redor... como é bom escapar ao sono e reconhecer que esse momento é só nosso, em privado e em harmonia, mas só nosso... nem que seja só de vez em quando!

terça-feira, janeiro 24, 2006


Jantar a dois...

No meio da confusão que todos os dias nos envolvemos, é tão difícil conseguir reservar algum tempo para nós... fico pensando que o tempo que nos sobra é sempre a menos, que as horas que passamos juntos são escassas, que as palavras que trocamos são poucas, que os momentos que vivemos são reduzidos e que a vida que partilhamos é curta, curta... muito curta para tudo!

Jantar a dois? Sim! E porque não? Desligar o televisor e o rádio, baixar as luzes, acender umas velas e sentar-nos um em frente ao outro bebendo um bom vinho, fixar-nos durante horas, trocar olhares e sentimentos que tanto nos ligam, segurar a tua mão e desejar, desejar muito que aquele momento não acabe nunca, que o relógio parasse, que o tempo fizesse uma pausa, que tudo lá fora se calasse e que esta noite não tivesse fim!

Esse sim, é um jantar a dois...... como se mais nada nem ninguém importasse, só nós dois!

Tenho frio!

Tenho frio porque não estou contigo!
Arrefeço um pouco mais a cada minuto que passa
Gelam-me as mãos, a face e o coração...
Longe de ti, sozinha... a vida perde a razão!

As coisas simples da vida

Como é bom viver e conseguir sentir
O cheiro a mar, o calor do Verão
Como é bom viver e conseguir ver
O azul do céu e a rosa salmão
Como é bom viver e conseguir tocar
O tecido, as flores e a tua mão!
Como é bom viver e poder caminhar
Na areia fofa, na relva e no chão
Como é bom viver e poder escutar
O som do mar e o grito do pavão!
Como é bom viver e saborear
O doce do mel, o salgado do pão
Como é bom viver e conseguir gritar
Sempre que dói ou até sem razão
Como é bom viver e saber ouvir
Alguém que nos ama e pede perdão
Como é bom viver e poder sorrir
Às palavras soltas e ditas em vão
Como é bom viver e poder descobrir
Uma nota no bolso, uma velha canção
Como é bom viver e poder dividir
Um pacote de bolachas com chá de limão!
Como é bom viver e saber partilhar
Uma anedota nova... ou antiga, porque não?!
Como é bom viver e poder respirar
O ar puro do campo livre da poluição
Como é bom viver e conseguir aproveitar
Os raios de sol, o tempo e a paixão!
Como é bom viver e poder transmitir
Alegria, harmonia, tranquila emoção
Como é bom viver e compreender
O poder das palavras e da confissão
Como é bom viver e poder escrever
O que sinto e desejo sem inibição!

Em tuas mãos pequeninas...

Em tuas mãos pequeninas
Que me acariciam suavemente
Sinto a força e a magia
De uma vida renascente
O teu toque leve de fada
Contagia com carinho
Pede um beijo, um abraço
Que tranquiliza e acalma
Reconforta minha alma
Exige amor e compreensão
Todo o carinho do mundo
Repletas de muita atenção
Reconforto minha intranquilidade
Sinto a essência da liberdade
Tu és tudo criança e menina
És musa da felicidade!

A verdadeira força reside na coragem!

Nos dias mais negros as soluções não aparecem, os problemas se acumulam, as chatices se amontoam, as barreiras se erguem e as portas se fecham sem dar tempo de lá chegar!
Tudo parece correr mal, o telefone não pára trazendo complicações, a caixa de e-mail se invade de obstáculos e questões, como de um novelo se tratasse, onde não encontramos as pontas, que os nós se sucedem e o enleio nos desespera! Realmente as ondas negativas atraem similares e o mundo de repente parece que vai desabar a qualquer momento!
O trabalho está um caos, a casa um reboliço, a família envolve-nos com mais problemas, os amigos desesperam e gritam por auxílio, o tempo não ajuda e somos bombardeados por todas as frentes!
O carro enguiçado, um cano entupido, uma unha partida, uma nota perdida, o café que se entorna, uma mancha de vinho, um copo partido, uma relíquia quebrada, uma dor de dentes, uma doença inesperada e quando damos conta já não falta mais nada!
Desesperamos, gritamos, esperneamos e quase desistimos... mas a verdadeira força reside na coragem! Na coragem de abandonar tudo por alguns momentos, por algumas horas ou até parar e deixar tudo para o dia seguinte!
Amanhã é um novo dia! Amanhã acordas e tudo o que parecia impossível e sem solução na realidade já não é tão assustador, tão complicado e difícil... serenamente arregaçamos as mangas e um a um vamos conseguindo arrumar cada ponto, resolver cada questão e sem darmos por isso de tal desespero já não existe a razão!

Nota: Este desabafo é dedicado à minha querida colega Dália, que é uma grande Mulher cuja força e coragem são uma inspiração! Que nos dias mais negros se lembre apenas que... amanhã é outro dia!

sexta-feira, janeiro 06, 2006


Junto ao mar pensei
Junto ao mar pensei
Que não mais te queria ver
Mas porquê, se eu sei
Que és a razão do meu viver
Sem ti ia morrer
Quero te ter e amar
E te mostrar quem eu sou
E aí vais desejar
Não ser quem me abandonou
Mil horas em ti pensei
Mil horas... um tempo que já passou
E qual eu esquecerei
Como vento que soprou
Troçaste do meu amor
Usaste-o para quê não sei
Talvez sentirás a dor
De um amor que não darei
E agora que o guardei
Anseias novos encontros
Procuras um olhar meu
Mas aí somos uns tontos
Em busca do que é seu
Ouço histórias, ouço contos
Os quais ficam sempre prontos
Se têm algo teu e meu
Sonho que ando só eu
Contigo sempre a meu lado
Meu coração é só teu
Mas que anda destroçado
Em busca de alguém que o ame
E como eu também me chame
Meu amor, minha paixão
Dá vida ao meu coração
Não mates meu coração
Que é só teu e teu somente
E estas palavras são
De alguém que te não mente
São de uma mente doente
Viciada só em ti
E como nunca vi
Um amor tal que sempre dura
Perdoa-me amor mas esta minha doença
É que não tem cura
Não tem cura e tem
E a cura é só tua
Não receies e vem
Comigo andar na lua
Passear e se divertir
Porque mais do que sentir
Na amizade é que há magia
E o elo que nos unia
Forte e duro eu te chamo
Só tu és minha alegria
E tu és tudo
Eu te amo!


Nota: Este foi o primeiro poema que escrevi, há 15 anos atrás, guardado no meio de livros e recordações e claro... o primeiro do blog! Bemvindo(a)!